Backend, frontend, fullstack e mobile pedem currículos diferentes. Este guia mostra exatamente o que muda entre eles — palavras-chave, estrutura, erros comuns e exemplos reais para o mercado brasileiro.
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especializações
40+
palavras-chave ATS
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erros mais comuns
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exemplos antes/depois
Abra o r/brdev ou qualquer grupo de vagas tech no LinkedIn Brasil. O padrão se repete: "Experiência com React, Node.js, Python, Java, AWS, Docker, Kubernetes." Essa frase aparece em centenas de currículos. É tecnicamente verdadeira e completamente inútil para diferenciar um candidato.
O problema não é mentir. O problema é tratar o currículo como uma lista de compras de tecnologias. Recrutadores que recebem 300+ candidaturas para uma vaga de backend na Gupy não têm como distinguir quem "usou Docker" no sentido de rodar docker-compose up de quem arquitetou um cluster em produção com orquestração, health checks e deploy automatizado.
O que separa quem recebe a ligação de quem fica no limbo:
As próximas seções mostram o que muda entre backend, frontend, fullstack e mobile — e como ajustar seu currículo para cada especialização.
As quatro especializações usam código, mas resolvem problemas diferentes, falam com pessoas diferentes e são avaliadas por métricas diferentes. O currículo precisa refletir isso.
| Backend | Frontend | Fullstack | Mobile | |
|---|---|---|---|---|
| O que faz | Constrói a lógica de negócio, APIs e infraestrutura | Implementa interfaces e experiência do usuário | Entrega features ponta a ponta | Desenvolve apps nativos ou cross-platform |
| Entrega principal | APIs, serviços, integrações, processamento de dados | Interfaces responsivas, componentes, design systems | Features completas do banco ao pixel | Apps publicados nas stores, SDKs |
| Fala com quem | DevOps, SRE, outros backends, arquitetos | Design, produto, UX research | Produto, design, stakeholders | QA, design, produto, backend |
| Skill principal | System design + bancos de dados | UI/UX implementation + performance | Visão end-to-end + trade-offs | Plataforma nativa + UX mobile |
| Métrica de impacto | Latência, uptime, throughput | Core Web Vitals, conversão, acessibilidade | Velocity de entrega, features shipped | Crash rate, reviews, DAU/MAU |
| Faixa salarial BR (2026) | R$6k-20k | R$5k-18k | R$6k-22k | R$6k-20k |
Especialize o currículo, não a carreira
Você pode ser fullstack no dia a dia, mas o currículo precisa mirar a vaga. Se a vaga é "Backend Developer", destaque system design, APIs e infraestrutura. Se é "Frontend Developer", destaque interfaces, performance e acessibilidade. O ATS não sabe que você é versátil — ele busca correspondência com os termos da vaga.
O backend developer constrói o que o usuário não vê: APIs, lógica de negócio, integrações, processamento de dados. Recrutadores procuram alguém que consiga projetar sistemas que aguentam carga, não quebram às 3h da manhã e se mantêm simples o suficiente para o próximo desenvolvedor entender.
Backend Developer com 4 anos de experiência em Node.js, Python e PostgreSQL. Responsável por APIs que processam 50k+ requests/dia com latência P99 abaixo de 200ms. Experiência com microservices, Docker, AWS (ECS, RDS, SQS) e CI/CD em equipes de produto de 5-8 devs.
O frontend developer transforma designs em interfaces que funcionam em qualquer tela, carregam rápido e são acessíveis. Recrutadores procuram alguém que vá além de "saber React" — que entenda performance, acessibilidade e saiba traduzir requisitos de produto em componentes reutilizáveis.
Frontend Developer com 3 anos de experiência em React, TypeScript e Next.js. Foco em performance web e acessibilidade. Responsável por design system usado por 4 squads e landing pages com LCP abaixo de 2.5s. Experiência com Tailwind CSS, Testing Library e CI/CD em times de produto.
GitHub e portfólio são diferenciais reais
Para frontend, o portfólio fala mais que o currículo. Mas o currículo é o que passa no ATS. Inclua links para GitHub e portfólio no cabeçalho e mencione projetos específicos nos bullets. Um deploy funcional vale mais que um repositório com README bonito e nenhum usuário.
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Analisar meu currículo grátisAs palavras-chave abaixo são as mais frequentes em vagas brasileiras de desenvolvimento em 2026. Use como referência — mas sempre priorize os termos que aparecem na vaga específica que você está mirando.
| Categoria | Palavras-chave |
|---|---|
| Linguagens | Node.js, Python, Java, Go, C#, TypeScript, Ruby |
| Frameworks | Express, NestJS, FastAPI, Spring Boot, Django, .NET |
| Banco de Dados | PostgreSQL, MySQL, MongoDB, Redis, DynamoDB, Elasticsearch |
| Infra/Cloud | AWS, Docker, Kubernetes, Terraform, CI/CD, Git, Linux |
| Práticas | REST API, GraphQL, Microservices, TDD, Clean Architecture, SOLID |
| Categoria | Palavras-chave |
|---|---|
| Linguagens | TypeScript, JavaScript, HTML, CSS, Sass |
| Frameworks | React, Next.js, Vue.js, Angular, Svelte, Remix |
| Ferramentas | Tailwind CSS, Storybook, Webpack, Vite, Figma, Jest |
| Performance | Core Web Vitals, Lighthouse, Lazy Loading, Code Splitting, SEO |
| Práticas | Design System, Responsive Design, Acessibilidade (WCAG), Testing Library, Git |
| Categoria | Palavras-chave |
|---|---|
| Plataformas | iOS, Android, Cross-platform |
| Frameworks | React Native, Flutter, Swift, SwiftUI, Kotlin, Jetpack Compose |
| Ferramentas | Xcode, Android Studio, Firebase, Fastlane, App Center |
| Distribuição | App Store, Google Play, TestFlight, CodePush, OTA Updates |
| Práticas | Offline First, Push Notifications, Deep Linking, Analytics, CI/CD Mobile |
Não transforme o currículo em Stack Overflow
A tentação de listar 40 tecnologias é real. Resista. A Gaia da Gupy e outros ATS analisam contexto, não apenas presença de termos. "Implementei cache com Redis reduzindo latência em 60%" vale mais que "Redis" solto numa lista. Inclua apenas tecnologias que você consegue defender em live coding ou entrevista técnica.
"React, Node.js, Python, Java, Go, AWS, Docker, Kubernetes, MongoDB, PostgreSQL, Redis, GraphQL, REST, TypeScript, Git..." Uma lista de 25 tecnologias no topo do currículo. O recrutador não sabe se você usou React por 3 anos em produção ou fez um tutorial no YouTube. Pior: a extensão sugere que nenhuma dessas é realmente profunda.
Desenvolvedores trabalham com métricas o dia inteiro — latência, uptime, cobertura de testes, deploy frequency — mas esquecem de colocar esses números no currículo. "Melhorei a performance do sistema" não diz nada. "Reduzi latência P95 de 800ms para 120ms" diz tudo. Se você não mede seu trabalho, o recrutador assume que o impacto foi mediano.
Code review, mentoring de juniores, decisões de arquitetura, documentação técnica, comunicação com produto. Desenvolvedores seniores são contratados tanto pela capacidade técnica quanto pela habilidade de multiplicar o time. Se você lidera tech discussions, faz pair programming ou onboarda novos devs, coloque no currículo. Vagas de pleno e sênior no Brasil pedem isso explicitamente.
Recrutadores de tech olham o GitHub. Se o seu tem apenas forks não modificados e o último commit foi em 2023, ele trabalha contra você. Melhor não ter GitHub do que ter um que demonstra inatividade. Se vai incluir, mantenha pelo menos 2-3 repositórios com README claro, código limpo e commits recentes. Um projeto pessoal com deploy funcional e CI/CD vale mais que 50 repositórios abandonados.
Desenvolvedores tendem a detalhar cada tecnologia, cada projeto, cada curso online. O resultado são currículos de 4 páginas que nenhum recrutador lê até o fim. Regra: até 5 anos de experiência, 1 página. Até 10 anos, 2 páginas. Mais que isso, edite. Cada bullet que não contribui para a narrativa de "este dev resolve meu problema" é ruído.
Teste do recrutador de 7 segundos
Estudos de eye-tracking mostram que recrutadores gastam em média 7 segundos na primeira triagem. Nesse tempo, eles leem: nome, título atual, empresa atual, resumo profissional. Se esses elementos não comunicam sua especialização e senioridade, o currículo vai para a pilha de "talvez" — que na prática é a pilha de "não".
Exemplos reais de como transformar bullets genéricos em bullets que passam no ATS e impressionam o recrutador técnico.
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Analisar meu currículo grátisA ordem das seções importa — tanto para o ATS quanto para o recrutador que vai decidir em 7 segundos se continua lendo. Esta é a estrutura que funciona:
| Certificação | Melhor para |
|---|---|
| AWS Solutions Architect Associate | Backend / Fullstack (arquitetura cloud) |
| AWS Developer Associate | Backend (serviços serverless, CI/CD) |
| Google Cloud Professional Developer | Backend / Fullstack (GCP) |
| Certified Kubernetes Administrator (CKA) | Backend / DevOps |
| Meta React Developer Certificate | Frontend (validação de mercado) |
| Oracle Certified Java Developer | Backend Java (grandes empresas, bancos) |
| HashiCorp Terraform Associate | Backend / Infra (IaC) |
Certificações são atalhos, não substitutos
No mercado brasileiro de dev, experiência prática pesa mais que certificados. Mas para quem está em transição de carreira, entrando na área, ou mirando empresas que pedem certificação explicitamente (bancos, consultorias), elas abrem portas. Priorize certificações que correspondem à stack da vaga — não acumule certificados genéricos.
Sim. O GitHub mostra que você sabe codar, mas o currículo mostra que você resolve problemas de negócio. Recrutadores em plataformas como Gupy e 99Jobs filtram por currículo antes de ver qualquer repositório. Inclua o link do GitHub no currículo, mas não dependa dele como substituto — especialmente em processos seletivos de empresas brasileiras que usam ATS.
Depende da especialização. Para backend: Node.js, Python, Java, Go, PostgreSQL, REST API, Microservices, Docker, AWS, CI/CD. Para frontend: React, TypeScript, Next.js, CSS, Responsive Design, Core Web Vitals, Acessibilidade. Para mobile: React Native, Flutter, Swift, Kotlin. Sempre use os termos exatos da vaga — o ATS busca correspondência literal.
Não. Liste apenas tecnologias que você usou com profundidade suficiente para defender em entrevista técnica. Uma lista de 30 tecnologias sem contexto é um sinal negativo — sugere superficialidade. Agrupe por categoria (Linguagens, Frameworks, Infra, Banco de Dados) e priorize as que aparecem na vaga.
Trate contribuições open source como experiência profissional. Descreva o projeto, sua contribuição específica e o impacto: "Contribuí com 12 PRs para o repositório do Next.js, incluindo fix de bug de hydration que afetava 2k+ projetos (issue #4521)." Inclua link para o PR ou repositório. Se você mantém um projeto próprio com estrelas e usuários, liste como experiência com métricas de adoção.
Sim, especialmente se você tem menos de 3 anos de experiência ou está em transição de carreira. Mas trate com rigor: descreva o problema que resolve, a stack usada, métricas (usuários, requests, uptime) e inclua link para o deploy ou repositório. "To-do list em React" não diferencia ninguém — "SaaS de gestão de tarefas com 200 usuários ativos, deploy em Vercel com CI/CD via GitHub Actions" diferencia.
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