Guia de salários · Brasil · 2026
Faixas de mercado por cargo: mediana, mín. e teto por senioridade, e a diferença entre São Paulo e o resto do país. Os valores são estimativas compiladas de pesquisas salariais públicas, não uma medição própria do CV10x. Veja a metodologia.
15 cargos · ordenados por mediana sênior
A maioria das pessoas olha uma faixa salarial e vai direto no número maior. É o erro mais caro numa negociação, porque os três números de uma faixa respondem perguntas diferentes. A mediana diz onde está a metade do mercado: metade das pessoas naquele cargo ganha menos, metade ganha mais. O mínimo e o teto marcam onde a amostra começa e termina, e não são pontos igualmente prováveis.
As faixas aqui são largas. No cargo de banda mais aberta, Engenheiro de Machine Learning, o teto sênior (R$ 27.141) é 1,9 vezes o piso (R$ 14.225). Mesmo no cargo de banda mais fechada, Cientista de Dados, a razão é 1,8. Duas pessoas com o mesmo cargo no crachá podem ganhar valores que quase dobram um em relação ao outro. O cargo explica menos do seu salário do que parece.
O topo é raro por construção. Entre os 15 cargos listados, o teto fica de 33% a 37% acima da mediana, com 36% no caso típico. Quem chega lá raramente chegou acumulando tempo de casa. O topo da banda costuma pertencer a quem está em empresa que paga acima do mercado (capital estrangeiro, fintech, big tech), a quem carrega escopo que não cabe no título (liderança técnica, responsabilidade por receita) ou a quem negociou na entrada, quando a margem de manobra é maior. Entrar na mediana e esperar chegar ao teto por reajuste anual é o caminho lento.
A passagem de pleno para sênior é o maior salto de remuneração da carreira na maior parte dos cargos: a mediana sobe entre 42% e 53% (48% no caso típico, em 15 cargos). De sênior para especialista o degrau é menor, entre 34% e 45%, com 41% no caso típico. O que muda na prática não é a quantidade de ferramentas que a pessoa domina, é o tamanho do problema que ela recebe. O pleno recebe uma tarefa bem definida e entrega bem. O sênior recebe um problema ambíguo e devolve a definição junto com a solução. O especialista decide em quais problemas o time não deveria mexer. Currículo que lista tecnologias comunica nível pleno mesmo quando a pessoa já opera como sênior.
São Paulo paga mais em todos os 15 cargos com dado nas duas regiões: a mediana paulista fica de 19% a 26% acima da do resto do Brasil, com 22%no caso típico. Vale ler esse prêmio com cuidado. Ele não é só custo de vida: SP concentra as sedes que pagam acima da banda, e a amostra paulista tem mais gente em empresa grande. Para quem mora fora e negocia com contratante remoto, o número relevante costuma ser o de SP, porque é com essa folha que a empresa compara. Para quem negocia com empregador local, é o outro. "Resto do Brasil" aqui é um agregado nacional-menos-SP, não uma região: não existe faixa por estado ou cidade nestas páginas, e isso é deliberado.
Esta é a parte que quase nenhum agregador salarial escreve, então vale ser explícito. Os valores desta seção são estimativas compiladas à mão a partir de publicações de terceiros. O CV10x não mediu esses salários. São 90 células (cargo × região × senioridade) e 270 valores, dos quais apenas 58 são distintos, todos arredondados em múltiplos de R$ 500. Esse arredondamento é a assinatura de uma tabela curada, não de uma medição contínua. Trate cada número como ordem de grandeza confiável e casa decimal não confiável.
Há mais coisas fora do alcance destes dados. Eles descrevem salário base mensal, então não enxergam bônus, PLR, equity nem benefício, que em algumas empresas respondem por parcela relevante da remuneração total. Não distinguem CLT de PJ, regimes com carga tributária e rede de proteção bem diferentes para o mesmo valor bruto. Não capturam porte nem setor da empresa, que costumam explicar mais variação que a senioridade. E não são preço de mercado em tempo real: as pesquisas de origem são anuais ou trimestrais, e esta compilação tem vintage de junho de 2026.
Onde a amostra é fina demais, a página simplesmente não existe. Um cargo só entra aqui quando a senioridade-âncora tem pelo menos 50 respostas na amostra nacional, e 15 dos 15 cargos da tabela passam nesse piso hoje. Somadas, as células publicadas reúnem 10.561 respostas das pesquisas de origem. Publicar uma faixa frágil como se fosse sólida seria pior que ficar em silêncio.
Uma faixa serve para calibrar expectativa e para dar linguagem à conversa, não para ser citada como prova. Ancore o pedido perto do terço superior da banda do seu cargo e nível, e leve dois ou três fatos que justifiquem essa posição: escopo que você já carrega, resultado com número, escassez da combinação de habilidades que você tem. Quem cita a faixa sozinha entrega a negociação para a fonte. Quem usa a faixa para enquadrar a própria evidência fica com ela.
Antes de olhar o número, vale conferir se o seu currículo comunica o nível que você quer que ele comunique. É comum a defasagem salarial começar aí: a pessoa opera como sênior, o currículo descreve tarefas de pleno, e a proposta chega calibrada pelo documento. O guia de currículo para dados e o de como funciona um ATS cobrem esse ajuste. Para ver quem está contratando o seu cargo agora, as vagas abertas por área saem do pool ao vivo, atualizado diariamente.
Cada célula da tabela cita a fonte específica na página do cargo. Atualização da compilação: junho de 2026. Regra de supressão, blend nacional e coleta anônima com consentimento estão descritos na metodologia.
Diagnóstico gratuito
Responda 7 perguntas e veja, com os números do seu cargo, se você está no topo da faixa ou quanto está deixando na mesa. Sem cadastro.
Rodar o diagnóstico